sexta-feira, 29 de outubro de 2010

A expansão das universidades federais

Do Valor
Caixa das universidades federais soma R$ 20 bi
Luciano Máximo | De São Paulo
29/10/2010 

As 57 universidades federais brasileiras terminam 2010 com um caixa de R$ 19,7 bilhões - já descontado o pagamento de aposentadorias e pensões. O valor é o mais elevado em duas décadas e representa um salto de quase 120% na comparação com o orçamento verificado em 2005, de acordo com números compilados pelo professor Nelson Cardoso Amaral, da Universidade Federal de Goiás (UFG), e pelo Ministério da Educação (MEC).
Os últimos cinco anos ficaram marcados pela execução das duas fases do programa federal de interiorização das instituições de ensino superior e de expansão da oferta de vagas e cursos, da contratação de professores e funcionários e dos investimentos para ampliação da infraestrutura da rede, com novos prédios de salas de aula, laboratórios e equipamentos. O aumento do orçamento das universidades sucede um longo período de estabilidade orçamentária, que durou 11 anos, entre 1995 e 2005. 

servador do desempenho orçamentário das universidades federais desde 1989, o professor Amaral lembra que, apesar da recente evolução, os recursos destinados a investimentos precisam crescer, pois são bem inferiores aos gastos com salários, aposentadorias, pensões e até manutenção. Segundo a execução orçamentária de toda a rede, dos R$ 22,1 bilhões do orçamento integral de 2009 (incluindo inativos), R$ 1,4 bilhão (6,5%) foi a rubrica capital, destinada à ampliação da infraestrutura ou aquisição de equipamentos. Folha de pagamento e inativos representam fatia que supera 80% do caixa das universidades. "Gastos com salários são importantes, porque mão de obra é a maior riqueza de uma universidade. Ainda assim, o crescimento é o maior dos últimos anos e ajudou a superar o período de estagnação no custeio e investimento durante os oito anos do governo FHC. Muitas universidades ficaram endividadas", diz Amaral.
Cálculos do acadêmico apontam que o orçamento das federais registrou ligeira queda entre 1994 e 2002, passando de R$ 9,2 bilhões para R$ 9 bilhões, já descontados inflação e gastos com inativos. Os investimentos recuaram com maior intensidade no período (de R$ 278 milhões para R$ 45 milhões), enquanto os recursos empregados em manutenção - contas de água, luz e telefone e serviços de limpeza e segurança - também caíram, de R$ 996 milhões para R$ 537 milhões.
O ex-ministro da Educação do governo FHC Paulo Renato Souza, atual secretário da Educação de São Paulo, contesta os números. Segundo ele, o levantamento do acadêmico não contempla o Programa de Modernização das Universidades Federais, que previa a concessão de créditos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e de organismos internacionais para a aquisição de equipamentos. Com a iniciativa, diz Souza, a média anual de gastos com custeio em oito anos foi de R$ 1,3 bilhão.
"Não tivemos diminuição de recursos, observamos que era possível fazer mais com o que havia. Concentramos a distribuição de recursos de custeio e investimentos com base no número de alunos e cursos e, depois, criamos, o programa de estímulo à docência", ressalta Souza, destacando que havia muito desperdício na administração das universidades federais e "foi preciso instituir mais cobrança por parte do MEC".
Na opinião de Amaral, da UFG, as universidades correram um risco de queda de qualidade com a adoção da Gratificação de Estímulo à Docência (GED) na gestão de Souza no MEC, abolida em seguida, ainda quando Cristovam Buarque era ministro da Educação no governo Lula. "Ao provocar uma maior preocupação com índices de produtividade, a GED poderia ter consequências negativas, por forçar uma atuação burocrática do docente, apenas preocupado em somar pontos numa tabela que resultaria em aumento da parcela salarial", avalia.
Souza diz também que as matrículas nas universidades federais durante o governo FHC cresceram a uma taxa média anual de 6%, enquanto no governo Lula ela foi menor, de 3,2%, considerando dados até 2008. O tucano também contesta os números de formação nos cinco anos do governo Lula. "Em termos absolutos, o número de formandos caiu mesmo com toda essa derrama de dinheiro, faltou eficiência ao MEC e iniciativas de cobranças."
O MEC rebate as acusações, afirmando que foi obrigado a passar os primeiros anos de gestão "apagando fogo da expansão irresponsável" promovida nos últimos anos do governo anterior, de acordo com um dirigente do ministério. As universidades federais, acrescenta, tinham mais de R$ 2 bilhões em dívidas. "Só a Unifesp em São Paulo tinha uma única conta de água não paga de R$ 50 milhões. Além disso, o calendário universitário estava atrasado 120 dias por causa das greves e tivemos que chamar novos concursos públicos para substituir os professores temporários contratados no passado. A expansão só pôde ser iniciada depois que saldamos as dívidas com cada fornecedor, a partir de 2004", diz a fonte.
Segundo ela, se a comparação da evolução do número de matrículas levar em conta os mandatos completos de Lula e FHC, a vantagem é do primeiro. Considerando a previsão de matrículas de 2010, de 860 mil novos alunos, a expansão entre 2003 e 2010 será de 51%, enquanto que, entre 1995 e 2002, o crescimento foi de 44%.
Quanto à taxa de formação, a fonte do MEC explica que, por conta da fase de ajustes no início do mandato, o número de titulados se manteve estável e já começa a registrar crescimento. Entre 2003 e 2009, a taxa de formação cresceu 9%. "E crescerá ainda mais nos próximos anos. Segue uma lógica clara: se a expansão se intensificou em 2005, e é preciso pelo menos cinco anos para a formação, não tinha como aumentar antes de 2009." 
De Norte a Sul, campi viram canteiros de obra 
| De São Paulo 29/10/2010 
Dois anos depois da implantação do Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (Reuni), que injetará R$ 3 bilhões até 2012 na rede federal de ensino superior, o Ministério da Educação (MEC) contabiliza a construção de 128 novos campi universitários, que se estendem por mais de 220 cidades brasileiras. "São 3,5 milhões de m2 de área construída ou em fase de reforma em todo o Brasil", diz Maria Paula Dallari Bucci, secretária de Ensino Superior do ministério.
Reitores de todo o país ouvidos pelo Valor contaram que, depois de mais de dez anos sem investimentos significativos em ampliação, as universidades federais são consideradas "verdadeiros canteiros de obra".
Na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), o orçamento cresceu 56% entre 2004 e 2010, para R$ 454 milhões, sem considerar pagamentos a inativos e sentenças judiciais. A adesão ao Reuni permitiu a instituição contratar 450 professores e 400 servidores a partir de 2007. O reitor Carlos Alexandre Netto informa que outros concursos estão paralisados por causa do período eleitoral. "Os dados mostram que, pela primeira vez, o Brasil vive uma política séria de apoio à educação superior. O que se demonstra é um aumento de 10% do orçamento de custeio, que paga as despesas correntes da nossa instituição, e aumento significativo de capital pelo Reuni, que garante obras, novos cursos e a entrada e permanência de novos estudantes", relata.
Pela meta do Reuni, a UFRGS já criou 750 novas vagas desde 2007 e deverá criar outras 750 até 2012. "O foco são os cursos noturnos, em todas as áreas: criamos novas vagas, principalmente nas licenciaturas, saúde e engenharias", complementa Netto. A federal gaúcha tem 34 mil alunos de graduação e pós-graduação e 5 mil professores e técnicos administrativos.
Com um vocabulário de executivo de negócios, o reitor também destaca a ampliação física da federal. "Antes era proibitivo sequer pagar a manutenção dos espaços acadêmicos, agora registramos 90 mil m2 de área construída na nossa carteira de projetos. Nos últimos anos, foram inaugurados dois prédios de sala de aula, um novo prédio está em fase adiantada e mais quatro novas unidades acadêmicas e laboratórios terão as obras iniciadas até o fim do ano", conta o reitor.
Além da infraestrutura para aulas e pesquisa, a UFRGS investe em outros setores. "Os restaurantes universitários eram mantidos com recursos próprios, agora recebemos nas rubricas orçamentárias da União. Não é pouca coisa, nas cinco unidades servimos 1,2 milhão de refeições por ano."
A Universidade Federal do Amazonas (Ufam) e a UFPE, em Pernambuco, planejaram expansão em direção ao interior. No caso da primeira, o crescimento orçamentário, de 77% de 2004 a 2010 (para R$ 203 milhões), permitiu que antigas unidades acadêmicas provisórias - instaladas em Benjamim Constant, a mil quilômetros da sede em Manaus, na fronteira com a Colômbia e o Peru - fossem convertidas em um campus permanente.
"O campus de Benjamim Constant ganhou autonomia, passou a receber recursos específicos de pessoal, custeio e capital, que estão sendo usados para construir prédios e contratar professores e técnicos. Passaram a ter vida", afirma Albertino de Souza Carvalho, pró-reitor de planejamento e desenvolvimento institucional da Ufam. Segundo ele, a presença da universidade na pequena cidade de 25 mil habitantes do Alto Solimões era esporádica. "Tínhamos parcerias com a prefeitura para fechar alguma turma, aí a gente enviava professores para lecionar. Eles usavam as salas de aula das escolas municipais ou espaços cedidos por alguma associação."
A expansão da Ufam também chegou às cidade maiores, como Humaitá, Parintins, Coari e Itaquatiara. Carvalho diz que a escolha dos cursos nesses locais está relacionado com o perfil econômico e cultural, além das tradicionais licenciaturas, estratégia para fortalecer a educação básica. "No Alto Solimões, 70% da população é indígena, lá prevalecem os cursos de antropologia. Em Humaitá, no sul do Estado, há um grande desenvolvimento na área de grãos, então demos atenção para a criação de cursos de agronomia e engenharia ambiental. Nas outras se destacam a biodiversidade e a pecuária, o que justifica a criação de institutos acadêmicos de engenharia ambiental, saúde, biotecnologia, agronomia e zootecnia", explica o pró-reitor.
A UFPE focou grandes reformas no campus de Recife e a expansão dos campi de Caruaru e Vitória de Santo Antão. "Apenas universidades privadas ou estaduais ocupavam essas localidades, mas tinham infraestrutura muito reduzida. A presença de uma universidade federal tem um poder multiplicador para a renda das pessoas e um forte efeito de desenvolvimento regional", diz Hermino Ramos de Souza, pró-reitor de planejamento da UFPE. O orçamento da universidade nordestina cresceu 14% nos últimos sete anos, para R$ 300,9 milhões.
O reitor Edward Madureira Brasil, da Universidade Federal de Goiás (UFG), destaca a construção de novos prédios de salas de aula e laboratórios de pesquisa, obras viárias nos dois campi da capital goiana e nos de Jataí e Catalão. "Essas unidades foram contempladas com várias centros com 30, 40 salas de aula e laboratórios. A maior obra que edificamos foi um centro de eventos no campus de Goiânia, onde são feitas 100% das colações de graus, sem custo para o estudante. Além disso o espaço também é usado para a realização de feiras e congressos, gerando recursos extras para a universidade." Uma das metas da UFG no Reuni é abrir um novo campus na cidade de Goiás, antiga capital do Estado.
Os planos do pró-reitor de administração da Universidade Federal de São Carlos (Ufscar), Manoel Fernando Martins, para cumprir as metas do Reuni é abrir cerca de mil vagas por ano até 2012. A instituição conta com orçamento de R$ 150,5 milhões neste ano. "Estamos resgatando uma dívida com a sociedade, que permaneceu intocada entre 1994 e 2004. Estamos voltando a manter estrutura do início da década de 1990, resgatando o nível de funcionamento de antes, mas ainda com muito atraso", avalia Martins. (LM) 
Em 2009, número de novos alunos aumentou 17% em relação a 2008 
| De São Paulo
29/10/2010

O Brasil pode atingir a marca de 1 milhão de matrículas no ensino superior federal em 2012, ano de conclusão do Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (Reuni). Previsão do Ministério da Educação (MEC) aponta crescimento da oferta de vagas superior a 75% em relação aos 643,1 mil alunos matriculados em 2008, quando começou a execução do Reuni.
Números oficiais do Censo da Educação Superior 2009, que será divulgado nas próximas semanas pelo Instituto Nacional de Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), mostram que foram criadas 210,2 mil vagas nas universidades federais no ano passado, o que representa crescimento de 24% sobre 2008. Com isso, a taxa de matrículas em 2009 registrou a entrada de 752,8 mil novos alunos na rede pública federal, uma alta de 17% em comparação com o ano letivo anterior. Para 2010, a previsão é que sejam registradas 860 mil matrículas (avanço de 14%), revelou uma fonte do MEC.
A taxa de formação dos estudantes reverteu queda de 2008 e voltou a crescer, embora em ritmo mais lento do que o da oferta de vagas: foram 91.576 concluintes em 2009 contra 84.034 no ano anterior, variação positiva de 9%. Na avaliação da fonte ministerial, a tendência é de aumento mais forte das graduações nos próximos anos. "O tempo médio de formação da maioria dos cursos é de 4,5 anos. À medida em o Reuni avança também deveremos registrar alguns repiques nos índices de conclusão dos universitários." (LM) 


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Pescado no Blog do Luis Nassif.



quarta-feira, 27 de outubro de 2010

A regulamentação da comunicação


Por Josias Pires
 

A legislação que regulamenta as comunicações/telecomunicações no Brasil (O Código Brasileiro de Telecomunicações) é de 1962. Evidentemente está ultrapassado em todos os sentidos. A lei de Imprensa que vigorou até outro dia foi promulgada pela ditadura militar em 1967. Ora, com a revolução tecnológica das últimas décadas e com as novas configurações econômicas e políticas contemporâneas, evidentemente o país precisa de um novo marco regulatório para o campo das comunicações/telecomunicações.
Todos os países do mundo regulamentam as relações dos meios de comunicação com as questões de interesse público. No Brasil, a velha mídia sempre impediu este debate, por isso as legislações não foram até agora atualizadas. Há avanços em aspectos legais da tv fechada, mas o setor é amplamente regulado por um cipoal de portarias e decretos que atendem, muitas vezes, aos interesses de empresas e não os dos usuários.
As supostas denúncias e alertas de que a esquerda pretende censurar a imprensa é um engodo, uma tentativa de paralisar o debate necessário acerca de um novo marco regulatório. Todos os estudiosos da economia política das comunicações no Brasil apontam distorções tremendas nas concessões e permissões de uso de canais de rádio e televisão. Tais distorções levaram a mais de um terço dos canais estarem nas mãos dos evangélicos e outros religiosos. Cinco famílias controlam os demais meios de comunicação de alcance nacional.
Na questão da imprensa o que precisa ser regulamentado é o direito de resposta, pois hoje um veículo pode destruir a reputação de um sujeito sem estar lastreado em provas definitivas. O direito de resposta é negligenciado pela imprensa brasileira e isto não é direito. Fora isto é mentira andarem afirmando que há interesse petista em censurar a imprensa. É a tentativa de mudar o foco do debate. A imprensa esclarecida, blogueiros e todos nós não podemos cair nesse engodo. Esta é a pauta da direita.
A modernidade brasileira passa pela democratização dos meios de comunicação. A questão da convergência tecnológico – rádio, tv, telefone e computador num mesmo aparelho – impõe a necessidade do novo marco para regular a possibilidade de entrada de novos atores no mercado de TV aberta e fechada – hoje a tv fechada é controlada sobretudo por tvs estrangeiras. A maior parte da produção é estrangeira. Uma novo marco regulatório pode e deve estimular uma maior produção brasileira nas tvs fechadas.
Uma telefônica dessas que comeram nossas empresas estatais de telecomunicações é mais poderosa do que dez redes globos. Esta é a verdade do mercado. A legislação brasileira proíbe o proprietário estrangeiro na tv aberta. Isto ainda interessa ao Brasil? Produzir conteúdo brasileiro diversificado e de alta qualidade para a mídia brasileira e para o mundo é o que interessa. Se o dinheiro é estrangeiro isto pouca diferença faz. Ou não?
E tem mais: o que está em jogo não é apenas o interesse da velha mídia em resguardar o mercado protegendo-o da força das empresas telefônicas. Um novo marco regulatório é fundamental também para a democratização da produção no sentido de facilitar a concessão e permissão de uso para os movimentos sociais – sindicatos, associações e grupos diversos que realizam atividades de relevante valor social e cultural – fortalecendo o movimento de construção solidária da sociedade brasileira.

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Pescado do blog do Luis Nassif

Compartilhamento de impressora e escâner em rede com o CUPS e Samba

Enviado por Eduardo Sierra (edusierraΘgmail·com):
“Recentemente criei um blog para documentar todas as experiências e problemas que passo no meu dia-a-dia como Analista de Suporte. Fiz uma série de 3 posts ensinando como compartilhar impressora (já com os drivers instalados no servidor) e escâner do servidor Linux em rede Windows e gostaria de compartilhar com todos: Parte 1, Parte 2 e Parte 3.” [referência: osysadmin.wordpress.com]
 
Pescado do br-Linux.org   


CNT/Sensus: Dilma lidera com 51,9% e Serra tem 36,7%

CNT/Sensus: Dilma lidera com 51,9% e Serra tem 36,7%

Publicado em 27.10.2010, às 09h57

A candidata do PT à Presidência da República, Dilma Rousseff, tem 51,9% das intenções de voto, ante 36,7% de seu adversário, o tucano José Serra, segundo pesquisa CNT/Sensus divulgada nesta manhã. A vantagem de Dilma para Serra aumentou de cinco pontos porcentuais da pesquisa anterior, na semana passada, para 15,2 pontos agora. No levantamento anterior, Dilma tinha 46,8% e Serra, 41,8%.

Ao se considerar somente os votos válidos - o que exclui nulos e brancos e se redistribui os indecisos proporcionalmente, Dilma tem 58,6% e Serra, 41,4%. A rejeição à candidata petista caiu de 35,2% da pesquisa anterior para 32,5%. Já a rejeição a Serra subiu de 39,8% para 43%.

O levantamento, com margem de erro de 2,2 pontos porcentuais, foi feito com dois mil eleitores, entre os dias 23 e 25 de outubro, em 136 municípios e foi registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número 37609/2010.

Fonte: Agência Estado

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Quem ganha com esta campanha suja e difamatória?

Do Blog do Ricky – Sem Mais Delongas
Por Carlos Néder *
No afã de ganhar o que considera a eleição de sua vida, porque Aécio Neves está na fila e a idade já não lhe permite outras oportunidades, a campanha de José Serra desceu a níveis inimagináveis.
Impossível que tenha chegado a tal degradação sem o seu aval e de seus colaboradores mais diretos. Método que reforça na população o sentimento de que a política está superada como prática edificante, o que poderá se traduzir em níveis de abstenção e anulação de votos nunca vistos! Assim, nos perguntamos sobre quem ganha com esta campanha de tão baixo nível. Como Marina Silva disse, há o risco de perder perdendo. O que não foi o caso dela! Ou de ganhar perdendo, em termos de valores, de estatura política e de dignidade.
Se por hipótese, e mesmo após esse tipo de campanha, Serra venha a ganhar, ainda que por uma pequena margem de votos, o estrago terá consequências por um tempo que irá muito além do mandato presidencial. Um desserviço à cultura da cidadania ativa e uma profunda divisão no seio da sociedade, que levará muito tempo para cicatrizar. E aqui não se trata de um apelo para que se arrefeça o sentido da oposição ao Governo Lula ou às plataformas de Dilma, mas que ela se faça apoiada em programas, projetos e denúncias consistentes. O resvalar de sua campanha para um enfoque enviesado acerca de temas caros a quem lutou contra a ditadura militar, como direitos humanos, das mulheres, negros, dos jovens, LGBTT, dos pobres e de melhor escolaridade, para citar alguns tão em voga em sua propaganda, quase sempre anônima e apócrifa, não condiz com a imagem pública que procurou cultivar e revela, isto sim, um seu lado mais do que nebuloso: sórdido!
Falo com a legitimidade de quem vem de uma família que militou e sofreu as consequências de ter vários de seus membros presos por terem sido filiados ao Partido Comunista. E ontem como hoje, quem diria, vimos assacarem o falso argumento de que queríamos matar as criancinhas brasileiras. Falo em nome dos que dedicaram suas vidas à viabilização de políticas públicas de inclusão social, ontem caracterizadas como subversivas diante da ordem instituída e hoje como equivocadas para quem deseja um outro perfil de desenvolvimento do país, que não o adotado pela equipe de Lula e majoritariamente elogiado nas pesquisas de avaliação do seu governo. Com a credibilidade de quem, em sua atuação parlamentar, fiscalizou atos de governos do próprio PT (nas áreas de saúde, informática e outras) e de partidos adversários (Frangogate, Detran, contratos superfaturados, etc.), mas sempre apoiado em dados consistentes e sem difamar o oponente.
Dessa maneira, conclamo ambas as candidaturas presidenciais, neste 2º turno, a que o tempo restante seja utilizado para debater ideias e projetos estratégicos que dignifiquem o país e o exercício da política. E que os apoiadores de minha candidata e de milhões de outros brasileiros e brasileiras, Dilma Rousseff, não caiam no erro de reagir utilizando meios tão deploráveis quanto os do nosso adversário. Que as denúncias de práticas ilícitas, se houver, sejam assumidas à luz do dia e por quem as faz e que delas se extraiam ensinamentos para fazer avançar ainda mais a democracia no país. Que possamos dignificar a ação política e reconhecer méritos nas propostas apresentadas pelos diferentes partidos e candidatos, incluindo as que foram defendidas por Marina Silva, Plínio de Arruda Sampaio e mesmo por nosso adversário nesta fase do pleito eleitoral.
*Carlos Neder é deputado estadual pelo PT/SP

CNT/Sensus: quase 60% do eleitorado acredita na vitória de Dilma

Pesquisa CNT/Sensus, divulgada nesta quinta-feira (14), aponta vitória da candidata da coligação “Para o Brasil seguir mudando”, Dilma Rousseff, com 52,3% dos votos válidos na pesquisa estimulada, contra apenas 47,7% do candidato tucano.

Na espontânea, na qual não são citados os nomes dos candidatos, Dilma tem 44,5% das intenções de voto e Serra está com 40,4%. Brancos e nulos somaram 4%. Além disso, 59,6% do eleitorado acredita que a petista vencerá. Só 29% considera que o mesmo aconteceria com o tucano. “Essa grande expectativa de vitória sempre puxa voto na reta final, sendo favorável a Dilma”, analisa o presidente da CNT, Clésio Andrade.

Outro dois fatores foram lembrados por Andrade. O debate deste último domingo, na TV Bandeirantes, e a qualidade dos programas eleitorais. “Boa parte dos entrevistados acredita que a candidata ganhou o debate e que seu programa eleitoral na TV é o melhor”. Os dados indicam que, para 54,7% dos eleitores, Dilma saiu vitoriosa do debate e para 52,5% o programa eleitoral na TV da candidata é o melhor.

Com a divulgação de hoje da CNT/Sensus, os três maiores institutos de pesquisas do País – Ibope e Vox Populi – apontam que Dilma será eleita a próxima presidente do Brasil. Foram feitas duas mil entrevistas, entre 11 e 13 de outubro, em 136 municípios, de 24 estados. A margem de erro é de 2,2%.


http://blogdoonipresente.blogspot.com/

A psicologia de massa do fascismo à brasileira

A psicologia de massa do fascismo à brasileira


Há tempos alerto para a campanha de ódio que o pacto mídia-FHC estava plantando no jogo político brasileiro.

O momento é dos mais delicados. O país passa por profundos processos de transformação, com a entrada de milhões de pessoas no mercado de consumo e político. Pela primeira vez na história, abre-se espaço para um mercado de consumo de massa capaz de lançar o país na primeira divisão da economia mundial

Esses movimentos foram essenciais na construção de outras nações, mas sempre vieram acompanhados de tensões, conflitos, entre os que emergem buscando espaço, e os já estabelecidos impondo resistências.

Em outros países, essas tensões descambaram para guerras, como a da Secessão norte-americana, ou para movimentos totalitários, como o fascismo nos anos 20 na Europa.

Nos últimos anos, parecia que Lula completaria a travessia para o novo modelo reduzindo substancialmente os atritos. O reconhecimento do exterior ajudou a aplainar o pesado preconceito da classe média acuada. A estratégia política de juntar todas as peças – de multinacionais a pequenas empresas, do agronegócio à agricultura familiar, do mercado aos movimentos sociais – permitiu uma síntese admirável do novo país. O terrorismo midiático, levantando fantasmas com o MST, Bolívia, Venezuela, Cuba e outras bobagens, não passava de jogo de cena, no qual nem a própria mídia acreditava.

À falta de um projeto de país, esgotado o modelo no qual se escudou, FHC – seguido por seu discípulo José Serra – passou a apostar tudo na radicalização. Ajudou a referendar a idéia da república sindicalista, a espalhar rumores sobre tendências totalitárias de Lula, mesmo sabendo que tais temores eram infundados.

Em ambientes mais sérios do que nas entrevistas políticas aos jornais, o sociólogo FHC não endossava as afirmações irresponsáveis do político FHC.

Mas as sementes do ódio frutificaram. E agora explodem em sua plenitude, misturando a exploração dos preconceitos da classe média com o da religiosidade das classes mais simples de um candidato que, por muitos anos, parecia ser a encarnação do Brasil moderno e hoje representa o oportunismo mais deslavado da moderna história política brasileira.

O fascismo à brasileira

Se alguém pretende desenvolver alguma tese nova sobre a psicologia de massa do fascismo, no Brasil, aproveite. Nessas eleições, o clima que envolve algumas camadas da sociedade é o laboratório mais completo – e com acompanhamento online - de como é possível inculcar ódio, superstição e intolerância em classes sociais das mais variadas no Brasil urbano – supostamente o lado moderno da sociedade.

Dia desses, um pai relatou um caso de bullying com a filha, quando se declarou a favor de Dilma.

Em São Paulo esse clima está generalizado. Nos contatos com familiares, nesses feriados, recebi relatos de um sentimento difuso de ódio no ar como há muito tempo não se via, provavelmente nem na campanha do impeachment de Collor, talvez apenas em 1964, período em que amigos dedavam amigos e os piores sentimentos vinham à tona, da pequena cidade do interior à grande metrópole.

Agora, esse ódio não está poupando nenhum setor. É figadal, ostensivo, irracional, não se curvando a argumentos ou ponderações.

Minhas filhas menores freqüentam uma escola liberal, que estimula a tolerância em todos os níveis. Os relatos que me trazem é que qualquer opinião que não seja contra Dilma provoca o isolamento da colega. Outro pai de aluna do Vera Cruz me diz que as coleguinhas afirmam no recreio que Dilma é assassina.

Na empresa em que trabalha outra filha, toda a média gerência é furiosamente anti-Dilma. No primeiro turno, ela anunciou seu voto em Marina e foi cercada por colegas indignados. O mesmo ocorre no ambiente de trabalho de outra filha.

No domingo fui visitar uma tia na Vila Maria. O mesmo sentimento dos antidilmistas, virulento, agressivo, intimidador. Um amigo banqueiro ficou surpreso ao entrar no seu banco, na segunda, é captar as reações dos funcionários ao debate da Band.

A construção do ódio

Na base do ódio um trabalho da mídia de massa de martelar diariamente a história das duas caras, a guerrilha, o terrorismo, a ameaça de que sem Lula ela entregaria o país ao demonizado José Dirceu. Depois, o episódio da Erenice abrindo as comportas do que foi plantado.

Os desdobramentos são imprevisíveis e transcendem o processo eleitoral. A irresponsabilidade da mídia de massa e de um candidato de uma ambição sem limites conseguiu introjetar na sociedade brasileira uma intolerância que, em outros tempos, se resolvia com golpes de Estado. Agora, não, mas será um veneno violento que afetará o jogo político posterior, seja quem for o vencedor.

Que país sairá dessas eleições?, até desanima imaginar.

Mas demonstra cabalmente as dificuldades embutidas em qualquer espasmo de modernização brasileira, explica as raízes do subdesenvolvimento, a resistência história a qualquer processo de modernização. Não é a herança portuguesa. É a escassez de homens públicos de fôlego com responsabilidade institucional sobre o país. É a comprovação de porque o país sempre ficou para trás, abortou seus melhores momentos de modernização, apequenou-se nos momentos cruciais, cedendo a um vale-tudo sem projeto, uma guerra sem honra.

Seria interessante que o maior especialista da era da Internet, o espanhol Manuel Castells, em uma próxima vinda ao Brasil, convidado por seu amigo Fernando Henrique Cardoso, possa escapar da programação do Instituto FHC para entender um pouco melhor a irresponsabilidade, o egocentrismo absurdo que levou um ex-presidente a abrir mão da biografia por um último espasmo de poder. Sem se importar com o preço que o país poderia pagar. 
 
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